7 Maio | TERÇA | 21h30
Local: Teatro da Politécnica
Zona
Processo Criativo
Ditam as regras que o actor nunca pode dar as costas ao espectador e é com este pressuposto que iniciamos esta nossa nova criação. As costas sempre nos atraíram, nós próprios nunca as conseguimos ver, transportam sempre um lado oculto, misterioso, enigmático. Que segredos encerram?
Propomo-nos aqui trabalhar a representação da figura humana de costas, para reflectir sobre os sentidos do humano em relação ao mundo, com os outros e consigo próprio. A perspectiva de omitir ou suprimir o rosto pode envolver a figura em múltiplos enquadramentos significativos, podendo revelar diversas interpretações. Virar costas ao destino que nos traçaram, virar costas para não querer ser mais refém, virar costas para partir, fugir, procurar outro caminho, virar costas para se esconder, virar costas porque se tem medo, virar costas para recusar ou porque não nos interessa, virar costas para não perder mais tempo, virar costas contra o que nos é imposto, virar costas porque não se quer ver mais. Em qualquer uma destas circunstâncias, a recusa de uma individualização, a posição de um enigma, a revelação de uma fragilidade, servem de pretexto para nos questionarmos a nós próprios, enquanto homens e mulheres que fazem parte de uma sociedade e do seu papel a representá-la. Num contexto de tumulto social, somos impelidos a testar novas fronteiras, a provocar uma forma de olhar para o que nos rodeia, a saltar para dentro do que nos é desconhecido, ultrapassando os nossos próprios limites para nos conhecermos melhor, enquanto indivíduos e cidadãos.
Ao mostrarmos o actor de costas também o queremos virar, para que ele volte à sua frontalidade. Viramos o actor de frente porque se quer partilhar mais alguma coisa, porque se tem uma urgência, alguma coisa que se tem absolutamente de dizer, ou simplesmente, para ver o que deixa para trás.
À semelhança dos últimos espectáculos produzidos pelo GTIST, é importante referir que Zona terá vários outros elementos enriquecedores. O processo de criação foi acompanhado por várias pessoas com formação em áreas diversificadas, tais como a Vânia Rovisco, da Arquitectura Actual da Cultura – AADK Portugal Associação que, para além de contribuir para a criação final, deu formação em Movimento e Corpo.
Estes processos de integração de novos elementos no espectáculo tornam todo o processo de criação mais completo, permitindo trazer pessoas de vários meios com ideias muito diferentes e inovadoras, dando uma maior riqueza e diversidade ao produto final.