11 Maio | SÁBADO | 21h30
Local: Teatro da Politécnica
Medeia de Noitarder
Processo Criativo
Deve haver um motivo para a luz pequena que apareceu sempre sobre esta palavra. Notas nas margens, notas em cadernos. Repetia-se: Medeia. Depois saiu pela boca, pelas mãos, pelos olhos. Sobretudo pelas mãos. O texto apareceu. Mas não tinha a certeza.
Há alguma coisa em matar os filhos que tem a ver com isto. Com certeza. Há alguma coisa certa numa coisa que acontece. Há alguma coisa no amor que tem a ver com culpa. Há alguma coisa em sobreviver que tem a ver com culpa. Porquê a Medeia? Não tinha a certeza.
Os actores mostraram-me os lugares que os personagens deviam tomar, o que acontece a esta gente. Mostraram-me o que eu tinha escrito, o que lhes tinha dito, mostraram-me muitas vezes que não tinha razão. Mostraram-me o que acontece quando se acorda as coisas que vivem debaixo das pedras. Mostraram-me que um personagem não se veste: arranca-se. Mostraram-me que eu nunca podia ter certeza. E deixei de querer ter certeza.