19 Maio | DOMINGO | 21h30
Local: Teatro da Politécnica
Manhã
Sinopse
São tantas as mulheres que se escondem sob as saias da memória: são santas, mães, adúlteras, virgens, perdidas; o corpo da fecundidade e o vulto enlutado da morte; a sabedoria serena, o desejo em que ardemos. As mãos que redimem são as mesmas que colhem o fruto da traição e do pecado, que nos dão o colo e o castigo madrasto, que amassam o pão que comemos, enquanto tangem, pela calada, as cordas da libertação. Poderão até ser as "marias" reais, que guardam a força constante e inquebrantável dos dias, ou as flores que sonhámos de uma beleza impossível, mas nunca deixarão de ter um nome e de o reclamar a viva voz.
Como quem, cantando sobre a roda, faz correr a vida em vez de água, há mulheres que marcam com os seus pés o próprio passo do tempo, fiando com paciência o leito em que correm a tradição e a memória, e que nos há-de levar ao que somos. Trazem-no cerzido no corpo, o tempo que pesa, passa, e que há-de vir emprenhar o chão de que sempre nos erguemos, como um dia que não espera p'ra nascer.