9 Maio | QUINTA | 21h30
Local: Teatro da Politécnica
Cidade Autoada

Processo Criativo
Iniciámos com a partilha da mesma linguagem. Corpo, esqueleto e respiração com a consequência activa do músculo da emoção. Formámos personagens próximas do imaginário e das vontades de cada um.
Encontrámos um texto actual de Cesariny com o qual explorámos a sua leitura e iniciámos o cruzamento das nossas ideias com o texto desinteressado e real que a percepção do Mário criou. As pontes começaram a envolver-se e distribuímos por todos as mesmas personagens de modo a termos a compreensão crítica de toda a consciência social que se envolvia no caminho. Descobrimos um início e queríamos um fim em palco para ressuscitar novos inícios. Focámo-nos, portanto, no caminho. A compreensão dos quadros já escritos e do alinhamento dos momentos nossos.
Passámos à fase obscura de fazer de um texto o nosso corpo, a nossa alma, a nossa voz. Chegámos à forma descoordenada de não saber qual seria a nossa voz e qual seria a voz do outro (que seria a nossa). Todos podíamos ser todos. Mas a vontade de definição e afirmação, ditou que, naturalmente, compreendêssemos que, se queríamos ir para palco, teríamos de nos olhar de outra forma. Nesta altura percebemos que o corpo intuitivo teria de ressurgir e que toda a intelectualização de um esquema de mensagem passaria pela maior importância de uma alma uníssona e diferenciada de entreajuda sensível para contarmos esta estória. O som veio relembrar-nos que o momento de contacto e comunicação seria épico e único e que, fundamentalmente, queremos fazer teatro para comunicar tudo num só gesto que até se poderá repetir durante toda a representação. Mas a riqueza dos nossos seres e a chegada do tempo de dizer superaram todas as marcações, técnicas, ou preconceitos adquiridos, numa formação própria e limitada. Quisemos atingir a verdade honesta do tempo em que vivemos. De uma forma artística, sucinta e universal. Foi necessário passar pelo caos. Pela adrenalina suave de uma amizade posta em causa. Reformular valores simples. E escolher livremente o que queremos. E, no fim, percebemos que, mais importante de tudo, somos nós em palco que decidimos a urgência da comunicação, da partilha, da cumplicidade, da maturidade, do entreaberto, da dúvida certeira para continuar. A catarse é procurada novamente pelo meio teatral para não querermos nada do que fizemos. Para querermos tudo diferente. Tudo melhor. Este foi o processo da criação. A o que chegámos? O público terá uma palavra a dizer.