8 Maio | QUARTA | 21h30
Local: Teatro da Politécnica
Antígonas
Processo Criativo
Desde a sua fundação, em 1982, que o TUT – Teatro da Universidade Técnica de Lisboa, tem mantido um ritmo de dois encontros semanais, às segundas e quintas-feiras. De Outubro a Dezembro, o grupo dedica-se ao acolhimento de novos elementos e à sua integração na dinâmica "tutiana" através de um trabalho de consciencialização e formação teatral, que desenvolve também a criatividade, a capacidade de comunicar e criar relações, a compreensão da Cultura e o estabelecimento de conexões, entre o pensamento e as emoções, as artes e as outras disciplinas.
Sem processo de selecção, o TUT vai incorporando estudantes portugueses, e Erasmus, de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento, provenientes de vários Cursos Superiores da actual Universidade Técnica de Lisboa, aos quais se juntam Investigadores e Professores, o que proporciona um pulsar vivencial universitário.
A partir de Janeiro, de uma forma flexível e fluída, com todos os elementos que queiram participar, e em função dos interesses e inquietações do grupo, vão-se lançando desafios e estimulando a inspiração através de leituras colectivas, diálogos alargados e exercícios de improvisação que despoletam o imaginário e geram caminhos de experimentação. O TUT visa também corresponder ao convite de participação em várias iniciativas universitárias e cívicas, assim como à apresentação de um espectáculo, normalmente no mês de Maio.
Foi desta forma que surgiu, neste momento histórico que vivemos, o sentimento profundo e intemporal de que todos somos Antígona, explorando o mistério da existência humana e a fonte matricial da justiça, na descoberta das nossas relações como seres sociais. No desenrolar do processo, apercebemo-nos que seria enriquecedor juntar ao texto de Sófocles outras ressonâncias, mais próximas de nós, deste tema tão amado. Surgiram, assim, as versões de Jean Anouilh e de Bertolt Brecht e impôs-se, pela sua beleza penetrante, a peça da filósofa Maria Zambrano. Seguidamente, privilegiando o processo de desenvolvimento pessoal, mas com um sentido de grupo, cada um/ uma foi convidado a escolher a personagem e/ ou a função que gostaria de desempenhar. O grande número de elementos do grupo permitiu desdobrar cada uma das personagens da peça por diferentes actores e actrizes, criando cambiantes reveladores da complexidade das várias personagens.
A planificação dos ensaios incidiu prioritariamente no trabalho dramatúrgico, que ia sendo testado em cena, e posteriormente focalizou-se, em simultâneo, no trabalho de actor e na plasticidade do movimento colectivo, indutor e criador de paisagens corporais.