20 Maio | SEGUNDA | 19h00
Local: Teatro da Politécnica
No tempo de gente maravilhosa que nunca existiu

Sinopse
The theme is the identity of an individual and how he acquires it. And that's connected to the fact, as Genet says, that in order to be complete, one needs to double oneself.
(R. Fassbinder a propósito de Querelle)

Partimos do texto Sangue no pescoço do gato de R. W. Fassbinder e demos voltas e voltas, juntámos referências que poderiam preencher o universo que começávamos a imaginar. Criámos um projecto com pilhas de papel, de texto. Não tínhamos tempo para levar a cabo o Fassbinder que estávamos a encetar. Não o querendo abandonar por completo, elaborámos um esboço: Amor, tempo e morte. Hoje.
Oito elementos no sangue do pescoço de um gato. Sete pessoas fechadas num salão, sete personagens rotativas. Como numa slot machine, as personagens vão rodando num circuito infinito. Subvertem as regras da comunicação, escondem o espelho, escondem a solidão, tentando escamotear o confronto com a realidade. Neste lugar cada um quer ser mais do que é. Não existe Deus, a amizade foi esquecida, não existe amor nem a tentativa de o expressar. Apenas a ausência dele. Contudo, a música prossegue. Uma rotina absurda mas vital. A imagem reflectida em várias dimensões. Até que surge um erro: um oitavo elemento. A verdade humana ou a distorção psíquica do animal felino.
A música já não é essa, o corpo já não lhes pertence, a própria linguagem está contaminada pela chamada democracia, pelas regras e pela dificuldade de amar.