9 Maio | QUINTA | 19h00
Local: Teatro da Politécnica
O Tempo Morto

Processo Criativo
Sobre a residência de criação artística, com coordenação e encenação de Susana Vidal e com criação de textos e apoio à dramaturgia de Miguel Manso. "NO TEMPO–MORTO" é uma experiência para resistentes e dissidentes, onde desenvolveremos um processo de criação que será apresentado ao público no FATAL 2013. Com um grupo de pessoas oriundas de vários espaços e com experiências diferentes, propomo-nos fazer este trabalho de criação e colaboração como desafio e delírio. Sem método a priori, trabalhamos na desvantagem do tempo e da memória, na procura de um tempo-morto onde inventar um espaço de eco. O eco na sombra do bosque, onde os intérpretes coroam a sua loucura e deixam fugir o paraíso por entre as sombras. Trabalhamos com a poesia inerente ao corpo dos desconhecidos que participam nesta residência de criação. Uma criação de urgência, de muitos e de poucos, de erros e pequenos acertos. "Só posso amar-te se fores perfeito" Na floresta, só havia 12 princesas e 6 super-heróis, embebidos na beleza das palavras ocas.

Imaginários no processo de criação
Havia 12 princesas e 6 super-heróis. Não havia nem olhos, nem ruas, nem mapas, nem sonhos, nem linhas, nem lojas, nem folhas, nem palavras, nem filhos, nem pais, nem mulheres, nem homens, nem poderosos, nem vítimas, nem lutadores, nem poetas… não havia mais nada, só 12 princesas e 6 super-heróis, seja isso o que for.

Tempo 1: Delírios para super-heróis e princesas Em tempo de delírios não se deixam ver os heróis. Em tempo de coroações as princesas escasseiam. No tempo da poesia, a razão é permeável à vontade do rei mais louco. No tempo do rei, torno-me a rainha. No tempo do herói, torno-me no homem. Os homens estavam nus, sempre por baixo das saias das princesas. Os heróis desapareceram pela floresta. Na clareira do bosque todos assistem à coroação, todos somos coroados pela insensatez e pelo delírio que o tempo vai deixando morrer. Os corpos ficam sem tempo, para depois arrancar o cadáver dos seus corpos e dos seus pensamentos tolos.

Tempo 2: Coroação Porque se escondem os heróis? Por que ocultam sempre a sua cara atrás de uma máscara? Se são heróis, por que têm vergonha de que vejamos as suas caras... Será humildade ou será que querem evitar a inveja e o repúdio dos outros?
Os heróis e as heroínas estão sempre escondidos por detrás das árvores na floresta.
Acho que são muito feios; valentes, mas feios. Se calhar, são só muito tímidos. Acho que este bosque está cheio de heróis apagados pela escuridão. A penumbra é o tempo morto dos heróis. Os heróis que descansam por baixo das saias das princesas. Os heróis que, depois do intervalo, virão salvar mais um louco em perigo.

«De nada nos serve ser rainhas ou princesas, super-heróis ou piratas, ganhadores ou perdedores. De nada serve olhar por baixo da minha saia e encontrar-te nu...de nada serve viver no paraíso sem culpa, sem medo, sem ódio, sem amor maldito ou sujo...de nada serve a solidão neste paraíso tão maculado como a rua, tão obscuro como os teus olhos, tão perfeito como a tua voz...deixa-me parar o tempo. No tempo-morto começa uma outra história, onde as princesas estão a desfazer-se e os super-heróis choram aos gritos, onde as rainhas tremem de medo e os perdedores vivem por fim em paz».

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PROCURAM-SE PRINCESAS (OU SUPER-HERÓIS) em boa forma física, com experiência em desejos, sexo, príncipes, sapatos, vestidos, cartões de crédito e com carta de condução. É indispensável saber inglês, francês, alemão, mandarim… certificado médico, mestrados, ordenado mínimo conforme as tabelas estipuladas pela PGE. Ajuda para alimentação, transportes por conta própria e apoio psicológico, caso seja necessário.

1º Erro
(a preencher pelos espectadores)

2º Erro
(a preencher pelos espectadores)

3º Erro
Agradecer publicamente pelos contos que me contaram durante 38 anos.

Susana Vidal